O tempo da contemplação já não é mais.
Salete Elias da silva Castro*
Nesta difícil, porém honrosa tarefa de coordenar novamente o evento FREPOP, este ano em sua 7ª edição, começo minhas palavras reportando-me às utopias históricas que nos uniram a partir de 2003. Um grupo flexível em sua estrutura, ora um, ora duo, ora trio, ora todos desempenhando seu papel na condição de humano, passando a maior parte de suas horas úteis em linhas horizontais e compartilhadas.
Amigos, aqui estaremos, nesses quatro dias, falando desta nossa condição de cuidar e sustentar a nossa casa (o planeta terra) e, como dizia minha avó: “antes que a casa caia”, dar sustentabilidade às nossas idéias e utopias, “neste mundo possível de possibilidades”.
É Brandão quem me afirma (...) Não é preciso renúncia e sacrifício pessoal para se ser amoroso e solidário. Em qualquer escala em que realize minha vida de trabalho profissional e/ou de militância, eu participo de projetos de libertação.
O VII FREPOP e IV Internacional já foi muito bem descrito e ilustrado em seus objetivos e características políticas, econômicas e antropologicamente pelos dois companheiros membros da organização, o Prof. Dr. Antonio Folquito Verona e sociólogo Marcio Cruz. Talvez, eu caracterize e objetive o evento mais sob a ótica da minha condição feminina neste planeta, romântica e maternalmente.
E como bem disse Clarisse ... meu caminho não sou eu, é outro, são os outros.Em todas as edições frepopeanas iniciamos nossas “pegadas solitárias” (própria dos sonhadores) convictos e esperançosas, removendo do caminho as pedras da burocracia e os entraves engessadores das formalidades políticas e legais, porém, aos poucos, vamos agregando um e uns, e no final constatamos que não somos mais ou menos uns ... Somos Todos e os Outros.
Minha humildade não permite que eu saia destes escritos sem agradecer a todos os parceiros apoiadores, convidados nacionais e internacionais que desejaram convencidos, por suas próprias ou nossas razões, estar conosco nesses quatro dias de FREPOP. Aos jovens do Teatro do Oprimido, estudantes, professores, cientistas, intelectuais, pesquisadores que nos emprestam suas erudições, aos vanguardistas, participantes em geral, aos otimistas, e aos pessimistas de plantão, que também são importantes na condição de alerta, mas, principalmente, àqueles que se voluntariam para as equipes de trabalhos, muitos deles conosco desde a 1ª edição. Aqui, “a Cigarra só canta se a formiga trabalha e a formiga só trabalha com o canto da cigarra ... e a sereia cai no nosso em-canto”
E com Boal e Freire encerro minhas palavras de acolhid:a
“Acabou-se o Tempo da Inocência ... o tempo
da contemplação já não é mais. Temos que
agir! Caminhar não é fácil! As sociedades se
movem pelo confronto de forças, não pelo
bom senso e justiça. Temos que avançar e, a
cada avanço, avançar mais, na tentativa de
humanizar a Humanidade. Não existe porto
seguro neste mundo... Navegar é preciso, e
viver ainda mais preciso... O mundo não é.
O mundo está sendo”
* É Diretora do Centro de Educação Popular (CEP) “Paulo Freire”, Presidente da ONG FREPOP e Coordenadora Geral do VII FREPOP – IV Internacional.